REVISTA BUSCA 02 / JUL 2005
editorial
Na busca de um caminho além da tecnologia, a urgência de uma imersão no inconsciente coletivo digital. O desapego e a desmaterialização de um ideal. A Revista Busca transcendeu o veículo, tornando-se um canal direto com o circuito de memória virtual. Registrando e construindo uma estética Brasil, muito além dos estereótipos de massa.
Um mergulho no imaginário do ser urbano brasileiro do agora, das vivências da metrópole, do xamanismo pós-digital. O despertar para a beleza de um des-design genuinamente terceiro-mundista, resultado de uma riqueza multicultural violentada por uma imposição visual mercadológica e suas estratégias voltadas para o consumo.
Passado e futuro estão sempre introduzidos no presente. A beleza do efêmero e a sabedoria daquilo que fica.
segue a busca
07/2005
? / Carla Barth
Carla Barth
Trampo e Tinico Rosa / Carla Barth
Fabio Zimbres
na busca da estética brasil
por Geraldo Tavares
"Essa é uma geração de pintores e artistas que se movem livremente entre as cidades e através da internet vêm dividindo e misturando idéias visuais, sonhos, obsessões e linguagens..."
Quem procura informações sobre street art na web, não demora muito a encontrar o nome do designer gráfico inglês Tristan Manco. E foi através da rede que Tristan teve o primeiro contato com o graffiti feito no Brasil. Cinco anos e dois livros depois, "Stencil Graffiti" 2002 e "Street Logos" 2004, lançados pela a editora Thames & Hudson, pode-se dizer que muito do que se conhece desta manifestação é registro das lentes do designer britânico. Em 2004, Tristan esteve no brasil, passou por São Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre. Conheceu as cidades, as pessoas, na procura da essência da street art do Brasil do agora, e também sua história. O resultado desse contato direto com a diversidade cultural brasileira, é seu terceiro livro, que será laçado até o final de 2005. Em entrevista concedida via correio eletrônico, Tristan antecipa para a revista busca um pouco daquilo que ele viu e que o mundo ainda vai ver na street art do brasil.
por Geraldo Tavares
"Essa é uma geração de pintores e artistas que se movem livremente entre as cidades e através da internet vêm dividindo e misturando idéias visuais, sonhos, obsessões e linguagens..."
Quem procura informações sobre street art na web, não demora muito a encontrar o nome do designer gráfico inglês Tristan Manco. E foi através da rede que Tristan teve o primeiro contato com o graffiti feito no Brasil. Cinco anos e dois livros depois, "Stencil Graffiti" 2002 e "Street Logos" 2004, lançados pela a editora Thames & Hudson, pode-se dizer que muito do que se conhece desta manifestação é registro das lentes do designer britânico. Em 2004, Tristan esteve no brasil, passou por São Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre. Conheceu as cidades, as pessoas, na procura da essência da street art do Brasil do agora, e também sua história. O resultado desse contato direto com a diversidade cultural brasileira, é seu terceiro livro, que será laçado até o final de 2005. Em entrevista concedida via correio eletrônico, Tristan antecipa para a revista busca um pouco daquilo que ele viu e que o mundo ainda vai ver na street art do brasil.
Busca: Seus livros apresentaram para o mundo um novo olhar sobre a street art, um tipo de manifestação artística, até então pouco compreendida, mesmo dentro do mundo das artes. Hoje, três anos após o lançamento de "Stencil Graffiti", a street art figura como a "estética do agora" nas ruas de muitas metrópoles espalhadas pelo mundo. Como você vê essa sua participação e o que te motivou a fazer esses registros?
Tristan: É interessante o fato do mundo das artes estar documentando a arte urbana novamente. Revistas como Art Review – http://www.art-review.com/ – têm destacado o novo interesse por trabalhos de coleções de artistas urbanos através de galerias on-line como Pictures on Walls – http://www.picturesonwalls.com/.
Novamente as atenções estão voltadas para a história do graffiti em um contexto de artes plásticas, como a grande retrospectiva de Jean Michel Basquiat em exposição permanente no Broklyn Museum of Art.
Tristan: É interessante o fato do mundo das artes estar documentando a arte urbana novamente. Revistas como Art Review – http://www.art-review.com/ – têm destacado o novo interesse por trabalhos de coleções de artistas urbanos através de galerias on-line como Pictures on Walls – http://www.picturesonwalls.com/.
Novamente as atenções estão voltadas para a história do graffiti em um contexto de artes plásticas, como a grande retrospectiva de Jean Michel Basquiat em exposição permanente no Broklyn Museum of Art.
A motivação para fazer meus livros têm sido apresentar artistas talentosos que se manifestam nas ruas para um número cada vez maior de pessoas, abrindo também, um novo contexto para futuras discussões. Com Stencil Graffiti, quis mostrar que a intervenção urbana é um movimento mundial e com história própria. Até o final dos anos noventa, stencil e graffiti existiam em locais e cenas restritas, em diferentes países, embora houvesse uma pequena percepção de movimento mundial. Esse movimento parece ter vindo nos anos seguintes, logo após o lançamento do livro e, com o crescimento de websites que espalharam a informação. O Brasil, um exemplo clássico, tem sua própria história do graffiti desde os anos setenta, mas somente agora tem sido revista e conectada com a história mundial. Mostrando a história as idéias e motivações por trás da street art, percebe-se o graffiti como uma manifestação que supera o rótulo de vandalismo.
Enquanto fazia "Stencil Graffiti", stencils não eram muito comuns, comecei a dar atenção a esse novo movimento que crescia com o graffiti – nós chamava-mos de "Street Logos". E realmente esse movimento não era apenas um, mas um entre muitos outros que acompanhavam o graffiti. Nos anos setenta e oitenta, a cena do graffiti era dominada pelo estilo hip-hop
Enquanto fazia "Stencil Graffiti", stencils não eram muito comuns, comecei a dar atenção a esse novo movimento que crescia com o graffiti – nós chamava-mos de "Street Logos". E realmente esse movimento não era apenas um, mas um entre muitos outros que acompanhavam o graffiti. Nos anos setenta e oitenta, a cena do graffiti era dominada pelo estilo hip-hop
que se espalhou pelo mundo através dos trabalhos nos trens de Nova York – e tudo mais como a srteet art e arte de protesto,
que eram vistas como marginais. Hoje, divisões entre as subculturas do graffiti tem se misturado. O graffiti tradicional está experimentando, agora, novos materiais além da lata de spray, como posteres adesivos, colagem e escultura. A nova onda de criatividade ilimitada conquistou um crescimento global e coletivo que começou nos anos oitenta com a street art do Soho, em Nova York. Isso inclui pintores como Keith Haring, Jean Michel Basquiat, Jerome Mesnager e artistas do stencil como Blek e Nemo.
Busca: Quando começou a fazer os registros?
Tristan: Comecei meus registros fotografando imagens em paredes em torno de 1986, e sempre, quando viajava, documentava o graffiti. Mas foi no final de noventa e três que comecei a me dedicar mais as fotos, isso porque vivia no mesmo bairro de Banksy, que agora é um famoso artista de stencil na inglaterra. A arte do stencil foi meu primeiro passo para escrever sobre o assunto.
que eram vistas como marginais. Hoje, divisões entre as subculturas do graffiti tem se misturado. O graffiti tradicional está experimentando, agora, novos materiais além da lata de spray, como posteres adesivos, colagem e escultura. A nova onda de criatividade ilimitada conquistou um crescimento global e coletivo que começou nos anos oitenta com a street art do Soho, em Nova York. Isso inclui pintores como Keith Haring, Jean Michel Basquiat, Jerome Mesnager e artistas do stencil como Blek e Nemo.
Busca: Quando começou a fazer os registros?
Tristan: Comecei meus registros fotografando imagens em paredes em torno de 1986, e sempre, quando viajava, documentava o graffiti. Mas foi no final de noventa e três que comecei a me dedicar mais as fotos, isso porque vivia no mesmo bairro de Banksy, que agora é um famoso artista de stencil na inglaterra. A arte do stencil foi meu primeiro passo para escrever sobre o assunto.
Busca: O que representa a street art na arte contemporânea?
Tristan: Assim como as pessoas começaram a documentar o graffiti e seu crescimento e importância nos anos oitenta, o público admirador de arte e o mundo das artes está vendo isso novamente hoje com novas técnicas, diferentes estilos de pintura e táticas de execução que aparecem ao longo da noite em muitas cidades em todo o mundo. Existe uma energia e uma recente atividade nesse novo graffiti que não pode ser ignorada. Essa é uma geração de pintores e artistas que se movem livremente entre as cidades e através da internet vêm dividindo e misturando idéias visuais, sonhos, obsessões e linguagens, conectando muitas pessoas no nível pessoal ou somente através dos trabalhos nas ruas. Esses artistas renovam nossos interesses nas formas, linhas, cores e no poder de criação. Essa arte vêm sendo desenhada pelo envolvimento com a forma de comunicação, mas não é preso somente a isso: é livre para manter seu movimento e desenvolvimento. Com vigor e visão, esses artistas vêm, em primeiro plano, da revolução do graffiti, que por sua vez, influenciou a pintura, marcando, por fim, o modo de se comunicar com outras pessoas no mundo.
Busca: Qual a imagem da street art brasileira?
Tristan: A street art no Brasil é descontraída, espontânea, feita a mão, menos conectada ao comercialismo e sem medo de lidar com assuntos mais esotéricos. É interessante ver trabalhos em pedaços de madeira e técnicas tradicionais serem usadas.
Busca: O que você poderia nos antecipar do livro que esta produzindo sobre a street art brasileira?
Tristan: Meu livro é, realmente, apenas uma introdução. Minha
Tristan: Assim como as pessoas começaram a documentar o graffiti e seu crescimento e importância nos anos oitenta, o público admirador de arte e o mundo das artes está vendo isso novamente hoje com novas técnicas, diferentes estilos de pintura e táticas de execução que aparecem ao longo da noite em muitas cidades em todo o mundo. Existe uma energia e uma recente atividade nesse novo graffiti que não pode ser ignorada. Essa é uma geração de pintores e artistas que se movem livremente entre as cidades e através da internet vêm dividindo e misturando idéias visuais, sonhos, obsessões e linguagens, conectando muitas pessoas no nível pessoal ou somente através dos trabalhos nas ruas. Esses artistas renovam nossos interesses nas formas, linhas, cores e no poder de criação. Essa arte vêm sendo desenhada pelo envolvimento com a forma de comunicação, mas não é preso somente a isso: é livre para manter seu movimento e desenvolvimento. Com vigor e visão, esses artistas vêm, em primeiro plano, da revolução do graffiti, que por sua vez, influenciou a pintura, marcando, por fim, o modo de se comunicar com outras pessoas no mundo.
Busca: Qual a imagem da street art brasileira?
Tristan: A street art no Brasil é descontraída, espontânea, feita a mão, menos conectada ao comercialismo e sem medo de lidar com assuntos mais esotéricos. É interessante ver trabalhos em pedaços de madeira e técnicas tradicionais serem usadas.
Busca: O que você poderia nos antecipar do livro que esta produzindo sobre a street art brasileira?
Tristan: Meu livro é, realmente, apenas uma introdução. Minha
esperança é que pessoas venham a se interessar mais em
explorar elas mesmas e analisar os artistas de seus próprios interesses através de sites na web. A idéia é dar um background informativo para explicar a cena e a história que, por sua vez, vem a dar um mais completo entendimento além das imagens.
Busca: O que despertou sua atenção na street art do Brasil antes, e depois do contato direto com as ruas e com os artistas?
Tristan: Meu interesse começou em 1999/2000, quando tive meu primeiro contato com a revista FIZ dos Gemeos. Tive meu primeiro contato através do site Lost Art – http://www.lost.art.br ... por e-mail quando pesquisava sobre stencil e graffiti. Desenvolvendo o novo livro, entrei em contato com artistas através da internet e então segui algumas recomendações.
Busca: Qual a impressão que ficou do Brasil?
Tristan: Eu, realmente não posso afirmar o que está por vir no futuro da street arte do Brasil. Tenho lido muitos livros sobre a história e cultura do Brasil, mas ver a vida e as diferenças entre as cidades me deu novas perspectivas. Meu pai é português e, embora eu fale apenas algumas palavras, por não termos vivido juntos, tenho um sentimento forte pela língua, especialmente na música brasileira. De alguma maneira eu esperava que o Brasil se parecesse com Portugal, mas ficou evidente que se tratavam de países completamente diferentes. Guardo um grande respeito pelo povo do Brasil. As pessoas têm tempo para você e todos que encontrei me deixaram impressões de suas próprias vivências e idéias artísticas que, hoje me inspiram muito na minha própria vida.
explorar elas mesmas e analisar os artistas de seus próprios interesses através de sites na web. A idéia é dar um background informativo para explicar a cena e a história que, por sua vez, vem a dar um mais completo entendimento além das imagens.
Busca: O que despertou sua atenção na street art do Brasil antes, e depois do contato direto com as ruas e com os artistas?
Tristan: Meu interesse começou em 1999/2000, quando tive meu primeiro contato com a revista FIZ dos Gemeos. Tive meu primeiro contato através do site Lost Art – http://www.lost.art.br ... por e-mail quando pesquisava sobre stencil e graffiti. Desenvolvendo o novo livro, entrei em contato com artistas através da internet e então segui algumas recomendações.
Busca: Qual a impressão que ficou do Brasil?
Tristan: Eu, realmente não posso afirmar o que está por vir no futuro da street arte do Brasil. Tenho lido muitos livros sobre a história e cultura do Brasil, mas ver a vida e as diferenças entre as cidades me deu novas perspectivas. Meu pai é português e, embora eu fale apenas algumas palavras, por não termos vivido juntos, tenho um sentimento forte pela língua, especialmente na música brasileira. De alguma maneira eu esperava que o Brasil se parecesse com Portugal, mas ficou evidente que se tratavam de países completamente diferentes. Guardo um grande respeito pelo povo do Brasil. As pessoas têm tempo para você e todos que encontrei me deixaram impressões de suas próprias vivências e idéias artísticas que, hoje me inspiram muito na minha própria vida.
Bruno 9li
Trampo
unwearable
criação Geraldo Tavares e Bruno 9li · modelos Kika Martinez e Bruno 9li · foto
Emerson Pingarilho
criação Geraldo Tavares e Bruno 9li · modelos Kika Martinez e Bruno 9li · foto Emerson Pingarilho
criação Geraldo Tavares e Bruno 9li · modelos Kika Martinez e Bruno 9li
· foto Geraldo Tavares
criação Luiz Roque e Cristiano Lenhardt · foto Léo Caobelli · modelo Cristiano Lenhardt
criação Luiz Roque e Cristiano Lenhardt · foto Léo Caobelli · modelo Cristiano Lenhardt
criação e make Bala Joyce · foto Renata Massetti · modelo Gabriele Lemanske
criação e make Bala Joyce · foto Renata Massetti · modelo Gabriele Lemanske
criação_rosa maria / foto_leo caobelli / modelo_carol horn / make_aline mathias
criação_rosa maria / foto_leo caobelli / modelo_carol horn / make_aline mathias
criação_sissi gavillon / foto_leo caobelli / modelos_kika martinez e fernanda evangelista
criação_sissi gavillon / foto_leo caobelli / modelos_kika martinez e fernanda evangelista
Shande / Mateus Grimm
Plim
Stephan Doitschinoff / Tinico Rosa
Carlos Dias
Galeria Adesivo
Bruno 9li
Mateus Grimm
Kali Yuga, a idade dos conflitos
por Emerson Pingarilho
Meu corpo é um corpo oco! Minhas fibras são pulsões de vontade, amor, alegria, raiva e destruição. Quem nunca sentiu na pele o toque de Shiva? aquele que é e não é, que nos nutre de felicidade e de sofrimento. Existe prazer sem sofrimento? Todos os momentos que vivi estão lá dentro do coração sendo levados pelo sangue, a seiva que leva traços de memória e angústia para todas as partes e todas as ramificações dessa minha máquina de carne.
Tudo que existe no mundo de mágico e supremo invade meu corpo oco, assim poderia descrever minha jornada dentro da mata sem lei, sem organização humana, puro caos e conhecimento para aqueles que se atrevem a mergulhar num Eu muito mais profundo, uma sombra que nossos egos insistem em esconder — por medo. Esse triste medo de nos perdermos no que é a realidade do universo.
Muitos acreditam que nossas vidas na cidade, nesse mundo de concreto é a realidade, que o consumo diário nos torna mais reais, que suprir nossos desejos nos coloca dentro dos eixos. Esse mundo inventado dos homens, esse humanismo em excesso é que nos torna tão monstruosos, tão cheios de inquietude e de medo, por isso matamos e denegrimos a nós mesmos.
"Quem deseja alcança, Quem não deseja consegue". Lao Tsé
Acordando de manhã, sonhos de castelos e seres de luz se apagam para que os ruídos dos carros tomem conta do meu cotidiano e o único sentimento verdadeiro que vem à tona é a vontade de estar com meu amor, ver seus olhos verdes se abrirem, contemplar o brilho de suas pupilas, sentir seus sonhos se dissiparem e suas premonições invadirem nosso destino. Disso os homens zombam! Riem de suas consciências e fingem como toda a forma de racionalismo do mundo. Fingem e aceitam uma estrutura inventada por eles mesmos e que de fato não existe. E qual é a estrutura que existe sem a intromissão do homem? Só o caos pode nos salvar.
"Quem deseja alcança, Quem não deseja consegue". Lao Tsé
Acordando de manhã, sonhos de castelos e seres de luz se apagam para que os ruídos dos carros tomem conta do meu cotidiano e o único sentimento verdadeiro que vem à tona é a vontade de estar com meu amor, ver seus olhos verdes se abrirem, contemplar o brilho de suas pupilas, sentir seus sonhos se dissiparem e suas premonições invadirem nosso destino. Disso os homens zombam! Riem de suas consciências e fingem como toda a forma de racionalismo do mundo. Fingem e aceitam uma estrutura inventada por eles mesmos e que de fato não existe. E qual é a estrutura que existe sem a intromissão do homem? Só o caos pode nos salvar.
Feliz daquele que traz dos sonhos as armas necessárias para entrar em contato com o infinito, que busca a quietude, que busca a sabedoria e busca a felicidade sem muletas, feliz daquele que é nu e está perdido na selva pois não conhece as doenças da cidade, da civilização. Só conhece de fato seu destino — pois a meta é a morte. E não ter medo da morte é uma dádiva nesse mundo materialista. Feliz daquele que ao longo de sua pequena vida já tocou os calcanhares do infinito.
Visões do cosmo, visões que aparecem apenas quando nos entregamos ao desconhecido, quando nos curvamos humildemente à sabedoria da natureza.
Não posso mais viver artificialmente no mundo dos homens aceitando todos os tipos de enlatados, sejam eles televisivos ou em forma de alimento. Tudo que me faz feliz é não querer nada, aceitar meu destino, aceitar a maneira como nasci, as tragédias particulares que vivi e que com orgulho carrego no meu coração.
"Atinja o fogo, Você será você". Hermes Trimegisto
O destino bate forte nos corações em fúria! Minha luta particular é exorcizar todos esses demônios que me perseguem dia e noite: raiva, vingança, sede por sangue. Todos nós materializamos de formas diversas nossas fraquezas. Quando eu vejo o demônio, ele ri de mim e diz que não tenho coragem, que não sou capaz, que devo ter medo, minha psiquê é um mar de sangue com pedaços das pessoas que eu amo.
Visões do cosmo, visões que aparecem apenas quando nos entregamos ao desconhecido, quando nos curvamos humildemente à sabedoria da natureza.
Não posso mais viver artificialmente no mundo dos homens aceitando todos os tipos de enlatados, sejam eles televisivos ou em forma de alimento. Tudo que me faz feliz é não querer nada, aceitar meu destino, aceitar a maneira como nasci, as tragédias particulares que vivi e que com orgulho carrego no meu coração.
"Atinja o fogo, Você será você". Hermes Trimegisto
O destino bate forte nos corações em fúria! Minha luta particular é exorcizar todos esses demônios que me perseguem dia e noite: raiva, vingança, sede por sangue. Todos nós materializamos de formas diversas nossas fraquezas. Quando eu vejo o demônio, ele ri de mim e diz que não tenho coragem, que não sou capaz, que devo ter medo, minha psiquê é um mar de sangue com pedaços das pessoas que eu amo.
Pintar é meu ofício, dádiva divina. Agradeço ABRAXAS, Deus primordial, por ter me dado um instrumento de luta contra as maledicências que meus irmãos infligem a eles mesmos. Por isso pinto nas ruas, o Xamanismo Urbano é a resistência da purificação, dou de presente para as pessoas que amo todo o meu sangue, tudo aquilo que corre de puro pelas minhas veias sem cobrar nada! Minha felicidade é a felicidade da irmandade.
Apenas a natureza, aquilo que existe desde o início dos tempos muito antes de nós, o poder da floresta, do caos, do incognoscível poderia ter aberto meu corpo oco. O que corre nas minhas veias é seiva. Liberdade! É aceitar as leis do cosmo, mas elas não são escritas como as leis dos homens, elas são viscerais, estão dentro de nós prestes a explodir, expulsando todos os nossos órgãos, dando um novo significado ao que somos em relação ao Uno. Pois somos todos Um.
Eis a vida da criação, a atividade da diferenciação. Eis o amor do homem. O brilho e a sombra escura que nos completa.
"Bem e mal estão unidos na chama". Jung
(Dedicado ao meu irmão Pipico. Paciência é uma virtude, trilharei meu caminho pois quando nos encontrármos será a glória).
17/03/2005
Apenas a natureza, aquilo que existe desde o início dos tempos muito antes de nós, o poder da floresta, do caos, do incognoscível poderia ter aberto meu corpo oco. O que corre nas minhas veias é seiva. Liberdade! É aceitar as leis do cosmo, mas elas não são escritas como as leis dos homens, elas são viscerais, estão dentro de nós prestes a explodir, expulsando todos os nossos órgãos, dando um novo significado ao que somos em relação ao Uno. Pois somos todos Um.
Eis a vida da criação, a atividade da diferenciação. Eis o amor do homem. O brilho e a sombra escura que nos completa.
"Bem e mal estão unidos na chama". Jung
(Dedicado ao meu irmão Pipico. Paciência é uma virtude, trilharei meu caminho pois quando nos encontrármos será a glória).
17/03/2005
Desconhecido / Trampo
Geraldo Tavares
Geraldo Tavares / Guilherme Pilla
Guilherme Pilla / Emerson Pingarilho
Geraldo Tavares / Bruno 9li
creditos busca 02
Lançamento: Instituto Goethe, 5 de julho de 2005
Concepção, edição e curadoria: Geraldo Tavares
Design, capa e diagramação: Bruno Novelli (9li)
Web Design: Gustavo Gripe
Entrevista com Tristan Manco: Geraldo Tavares
Produção: Camila Farina
Texto: Emerson Pingarilho
Arquivo BUSCA 03
BUSCA 01