gut guitars
Comecei a construir guitarras como quem desmonta um brinquedo pra ver o que tem dentro. Três cordas, caixa de charuto, um braço — o mínimo necessário pra que alguma coisa cante. As cigar box guitars vêm de uma tradição pobre e americana: o sujeito que não tinha como comprar um instrumento e fazia um, com o que tinha na mão.
Em algum momento me peguei pensando: e se isso tivesse acontecido aqui? Se, na mesma época em que um operário do Mississippi pregava um braço numa lata de charuto, um sujeito daqui tivesse feito o mesmo — mas com o que ele tinha na mão? Não uma caixa de charuto. Um porongo. Uma cabaça seca, dessas de chimarrão, virada caixa de ressonância.
Foi assim que nasceu a Chita: uma guitarra de porongo. Não é uma releitura da cigar box americana — é a guitarra brasileira que poderia ter existido e não existiu. Uma realidade alternativa. O instrumento que a gente teria inventado se tivesse inventado.
Daí em diante a GUT virou isso: um lugar pra fabricar instrumentos que poderiam ter existido. GUT é a abreviação do meu nome — Geraldo Ungaretti Tavares. Modelos de série, peças únicas, corpos que desenho no papel quadriculado e preso na bancada, lap steels, resonators de cabaça, a Voyager. Cada um é uma pergunta sobre o que é um instrumento brasileiro feito à mão — longe da indústria, perto da gambiarra, que é onde mora a invenção de verdade.
E aí, no fim dessa linha, está a Logos.
A Logos é o ponto onde a GUT para de citar a precariedade e assume a forma inteira: madeira maciça, corpo desenhado do zero, três cordas, um captador, o nome gravado na mão. Não tem caixa de charuto nem cabaça — é uma guitarra que já não precisa explicar de onde veio.
O nome é uma piada séria. O corpo da Logos foi desenhado a partir de duas logomarcas: a maçã da Apple e o swoosh da Nike, aquela vírgula que atravessa. As duas formas mais reconhecíveis do planeta, os dois símbolos que não precisam de legenda — fundidos num só corpo e transformados em instrumento de três cordas feito à mão numa bancada em Porto Alegre. Logos, no plural, de logomarca. Logos, também, no sentido antigo: a coisa dita.
Pegar os dois maiores logotipos do mundo e devolvê-los como uma guitarra de gambiarra é mais ou menos o que a GUT inteira faz: pega o que é global, industrial, acabado — e refaz à mão, torto, brasileiro, com três cordas e o que tiver na bancada.
Minha memória da Geraldo Ungaretti Tavares Guitars. Quem tocou esses instrumentos contaria diferente.
Em algum momento me peguei pensando: e se isso tivesse acontecido aqui? Se, na mesma época em que um operário do Mississippi pregava um braço numa lata de charuto, um sujeito daqui tivesse feito o mesmo — mas com o que ele tinha na mão? Não uma caixa de charuto. Um porongo. Uma cabaça seca, dessas de chimarrão, virada caixa de ressonância.
Foi assim que nasceu a Chita: uma guitarra de porongo. Não é uma releitura da cigar box americana — é a guitarra brasileira que poderia ter existido e não existiu. Uma realidade alternativa. O instrumento que a gente teria inventado se tivesse inventado.
Daí em diante a GUT virou isso: um lugar pra fabricar instrumentos que poderiam ter existido. GUT é a abreviação do meu nome — Geraldo Ungaretti Tavares. Modelos de série, peças únicas, corpos que desenho no papel quadriculado e preso na bancada, lap steels, resonators de cabaça, a Voyager. Cada um é uma pergunta sobre o que é um instrumento brasileiro feito à mão — longe da indústria, perto da gambiarra, que é onde mora a invenção de verdade.
E aí, no fim dessa linha, está a Logos.
A Logos é o ponto onde a GUT para de citar a precariedade e assume a forma inteira: madeira maciça, corpo desenhado do zero, três cordas, um captador, o nome gravado na mão. Não tem caixa de charuto nem cabaça — é uma guitarra que já não precisa explicar de onde veio.
O nome é uma piada séria. O corpo da Logos foi desenhado a partir de duas logomarcas: a maçã da Apple e o swoosh da Nike, aquela vírgula que atravessa. As duas formas mais reconhecíveis do planeta, os dois símbolos que não precisam de legenda — fundidos num só corpo e transformados em instrumento de três cordas feito à mão numa bancada em Porto Alegre. Logos, no plural, de logomarca. Logos, também, no sentido antigo: a coisa dita.
Pegar os dois maiores logotipos do mundo e devolvê-los como uma guitarra de gambiarra é mais ou menos o que a GUT inteira faz: pega o que é global, industrial, acabado — e refaz à mão, torto, brasileiro, com três cordas e o que tiver na bancada.
Minha memória da Geraldo Ungaretti Tavares Guitars. Quem tocou esses instrumentos contaria diferente.
Voltar