A Busca
Minha memória da Busca. Outros que estiveram lá contariam diferente.
Porto Alegre, começo dos anos 2000. Éramos três sob o nome Upgrade do Macaco. A Busca nasceu de uma monografia sobre grafite e virou três revistas em pouco mais de um ano, entre 2004 e 2005.
De alguma forma, a gente sempre chegava antes. Mostramos que o pichador mais anônimo da cidade era uma pessoa, com nome voz. Apresentamos Tristan Manco para o Brasil antes dele mostrar o Brasil para o mundo. E trouxemos Gilles Lipovetsky para anunciar o fim daquele sonho — e o começo de muitos outros.
Do meu ponto de vista, foi onde quase tudo que faço hoje começou.
Em 2003 eu precisava de um tema de monografia e escolhi o grafite. Comprei uma câmera de três megapixels e saí pela cidade atrás do que estava nos muros. O que era para ser pesquisa virou envolvimento, e depois ofício. Quando me formei, em 2004, eu tinha nas mãos um acervo que não cabia mais numa monografia: fotos, anotações, um caderninho de contatos com o telefone fixo dos artistas. A Busca nasceu disso — o primeiro trabalho de curadoria que fiz na vida, antes de saber que aquilo se chamava curadoria.
Não havia um grande plano. Em vez de vender propaganda, a gente buscava o apoio de amigos para a revista existir, e tinha a convicção um pouco insensata de que dava para viver daquilo. Foi feita de coração, porque naquele momento a aposta não era estratégica — era quase um ato de fé.
Foi uma revista pequena que fez uma pergunta grande, e teve a sorte de não saber que era pequena. O que ficou é o registro de uma cena num instante exato, antes de cada um seguir o seu rumo. A gente sabia, na época, o quanto aquilo era bom. O que não tinha como saber era o tamanho que aquilo teria no tempo.
a busca segue
Gera, 2026
Não havia um grande plano. Em vez de vender propaganda, a gente buscava o apoio de amigos para a revista existir, e tinha a convicção um pouco insensata de que dava para viver daquilo. Foi feita de coração, porque naquele momento a aposta não era estratégica — era quase um ato de fé.
Foi uma revista pequena que fez uma pergunta grande, e teve a sorte de não saber que era pequena. O que ficou é o registro de uma cena num instante exato, antes de cada um seguir o seu rumo. A gente sabia, na época, o quanto aquilo era bom. O que não tinha como saber era o tamanho que aquilo teria no tempo.
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Gera, 2026
Revista Busca 01
Em meio ao lixo da metrópole, flores do caos. A arte de subversão como a forma mais refinada de expressão — o muro como veículo, o risco como fascínio, a marca deixada no território intocado.
Em meio ao lixo da metrópole, flores do caos. A arte de subversão como a forma mais refinada de expressão — o muro como veículo, o risco como fascínio, a marca deixada no território intocado.
Revista Busca 02
A beleza do efêmero e a sabedoria daquilo que fica. A revista transcende o veículo e mergulha no imaginário do ser urbano brasileiro — um des-design terceiro-mundista, xamanismo pós-digital.
Revista Busca 03
No império da estética, do consumo e da psicologização: quem manda nas vontades do teu coração? As paredes caem depois que todos já foram embora — alquimia privada, fantasmas purificados na urbe.
No império da estética, do consumo e da psicologização: quem manda nas vontades do teu coração? As paredes caem depois que todos já foram embora — alquimia privada, fantasmas purificados na urbe.
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